Dólar sobe a R$ 3,87 e acumula alta de 17% no trimestre

Dólar sobe a R$ 3,87 e acumula alta de 17% no trimestre

Depois de oscilar sem direção clara no começo do dia, o dólar ganhou força e fechou em alta moderada na última sessão do trimestre. De acordo com operadores, a dinâmica foi ditada ao longo da tarde por uma nova pressão contrária a algumas moedas emergentes. E sem grandes catalisadores de melhora no ambiente local, o real não conseguiu

O dólar comercial fechou em alta de 0,49%, a R$ 3,8766, acumulando avanço de 2,53% na semana. A variação só confirmou o quadro desafiador que foi enfrentado no trimestre. De abril para cá, a cotação deixou para trás o nível de R$ 3,30 e se aproximou, no momento de maior nervosismo, a R$ 4,00. No período até agora, a alta foi de 17,36%.

Este foi o maior salto trimestral desde os três meses encerrados em setembro de 2015. O avanço só não foi mais acentuado por causa da intervenção agressiva do Banco Central (BC) com a oferta líquida de swap cambial desde meados de maio. As vendas totalizam US$ 43 bilhões, em operações que têm efeito semelhante à venda de dólares no mercado futuro.

O impacto nas cotações ficou mais evidente a partir de 8 de junho, quando o BC fez um programa de liquidez de US$ 24,5 bilhões num período de pouco mais de uma semana. Depois desse período mais intenso de intervenção, o BC já reduz o ritmo e acumula agora cinco sessões seguidas sem novos leilões de swap. A espiral negativa que tomou conta do mercado, principalmente em abril e maio, deixa algumas marcas. O mercado brasileiro tem o segundo pior desempenho do trimestre numa lista de 33 divisas globais, melhor apenas que o peso argentino que perde 30%.

A piora daqui nesse período contou com o fluxo mais contido de capital para emergentes, diante da perspectiva de aperto monetário nas economias desenvolvidas. Por aqui, o movimento foi agravado — sendo talvez o principal catalisador — pelo aumento da percepção de risco com a greve dos caminhoneiros.

Para Mário Battistel, gerente de câmbio na Fair Corretora, a perspectiva para o câmbio não é muito mais positiva. Por um lado, as preocupações com a guerra comercial, protagonizada pelos Estados Unidos, inibem as apostas globais para emergentes, já que prejudicam as perspectivas de crescimento mundial. Já internamente, a proximidade das eleições e as pesquisas de intenção de votos cada vez mais frequentes não abrem espaço para grande alívio. “Não acredito numa queda significativa do dólar, que vai ficar caro até a definição da eleição”, diz.

Diante dos riscos à frente, a expectativa é de que o Banco Central se faça presente no mercado, mesmo que em intervenções mais pontuais. “O BC vai continuar rolando os contratos de swaps que já estão no mercado e, se necessário, coloca lotes novos (…) eventualmente, pode dar leilão de linha só para tranquilizar o mercado”, diz Battistel.

Matéria retirada do Valor, sob autorização e redigida por Lucas Hirata

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